A menos de seis metros de distância, o pássaro reapareceu na savana africana durante uma missão ecológica internacional e surpreendeu ornitólogos.
Uma ave que a ciência não registrava desde 1931 caminhou tranquilamente a poucos metros de pesquisadores na árida província de Guéra, no Chade.
Entenda como uma missão internacional focada na catalogação de patos conseguiu fotografar a Calendulauda rufa, revelando que a espécie sobreviveu quase um século em um verdadeiro ponto cego geográfico.

O reencontro inesperado na Reserva de Abou Telfane
A equipe franco-chadiana localizou e fotografou o animal a menos de oito metros de distância na reserva de Abou Telfane.
O ornitólogo Julien Birard notou a presença da Calendulauda rufa ciscando o chão seco da savana africana.
A pequena ave não demonstrou medo e permitiu uma aproximação visual raríssima no mundo selvagem.
- Data do registro: Fevereiro de 2026, com o animal posando em campo aberto.
- Local exato: Reserva de fauna de Abou Telfane, a leste da cidade de Mongo.
- Última aparição: Maio de 1931, através de espécimes coletados na região do Níger.
Observadores de aves experientes sabem que cotovias voam ao menor sinal de movimento humano, tornando essa passividade para fotos um evento comportamental isolado.
As imagens inéditas agora compõem o comunicado oficial do instituto Tour du Valat.
Missão internacional buscava aves aquáticas
A descoberta ocorreu acidentalmente durante intervalos de uma catalogação de patos e pardais da região.
Os pesquisadores da ONU pelo projeto RESSOURCE+ viajavam pelas planícies centrais para monitorar áreas úmidas no Lago Fitri.
Eles focavam no pardal-de-kordofan e em outras aves de ambientes alagados do continente africano.
Achar uma espécie Lázaro do deserto durante uma busca por animais aquáticos ilustra o nível de imprevisibilidade das incursões em habitats isolados.
Por que a ave permaneceu oculta por quase um século
O longo hiato de registros resultou da ausência histórica de missões científicas nas vastas planícies do Sahel.
A Calendulauda rufa sobreviveu todos esses anos escondida em uma área que engloba o Níger, o Chade e o Sudão.
A falta de infraestrutura e recursos científicos manteve essa zona continental fora dos mapas regulares de biodiversidade.
Com um território tão grande e inexplorado, a conservação ambiental africana sofre com bancos de dados defasados que escondem santuários biológicos.
Decretar a extinção de um animal nessa faixa do continente reflete acima de tudo a falta crônica de ornitólogos atuando no terreno.
Os registros em foto e vídeo agora seguem para especialistas da BirdLife International avaliarem o status populacional da espécie.
Essa redescoberta força o retorno imediato de missões ornitológicas à província de Guéra para mapear o território da cotovia antes que mudanças climáticas alterem a região.












