USS Tampa: o navio americano que afundou 46 dias antes do fim da 1ª Guerra Mundial foi localizado após 107 anos

Leonardo A Santos
Publicado em: 12 de maio de 2026
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O navio americano que afundou 46 dias antes do fim da 1ª Guerra Mundial foi localizado após 107 anos

Com 131 homens a bordo e a guerra prestes a terminar, o USS Tampa desapareceu em três minutos e levou 107 anos para ser encontrado no fundo do Canal de Bristol.

Quarenta e seis dias. Era o que faltava para o armistício que encerraria a Primeira Guerra Mundial quando um torpedo alemão destruiu o USS Tampa na madrugada de 26 de setembro de 1918. A descoberta dos destroços, anunciada em abril de 2026, encerra um dos mistérios mais longos da história militar americana.

Os restos do navio estão a cerca de 80 km da costa de Newquay, no Reino Unido, a mais de 90 metros de profundidade no Atlântico.

O navio americano que afundou 46 dias antes do fim da 1ª Guerra Mundial foi localizado após 107 anos

A última missão do USS Tampa

O USS Tampa afundou na madrugada de 26 de setembro de 1918, atingido por torpedo alemão no Canal de Bristol, a apenas 46 dias do armistício que encerraria a Primeira Guerra Mundial levando consigo 131 tripulantes sem que nenhum sobrevivesse para contar.

O Tampa cumpria uma função de alto risco: escoltava comboios de suprimentos entre Gibraltar e a Grã-Bretanha, protegendo embarcações civis e militares dos temidos submarinos alemães.

Na noite do ataque, o comandante Charles Satterlee recebeu autorização para deixar o comboio e buscar reabastecimento de carvão. O navio navegava sem luzes acesas, protocolo de guerra para dificultar a detecção inimiga.

A noite de 26 de setembro de 1918

Mesmo no escuro, um submarino alemão avistou o Tampa e disparou o torpedo. O navio afundou em menos de três minutos.

Dos 131 a bordo, nenhum sobreviveu: 111 eram da Guarda Costeira dos EUA, quatro da Marinha americana e 16 marinheiros britânicos e civis. A maioria dos corpos jamais foi recuperada. Apenas alguns destroços, coletes salva-vidas e os corpos de dois oficiais apareceram nos dias seguintes.

Em 1999, 81 anos depois, a Guarda Costeira concedeu postumamente a Medalha Coração Púrpura aos mortos do Tampa.

Dez expedições para encontrar um fantasma

A equipe britânica Gasperados levou três anos e dez expedições para localizar os destroços, a 80 km da costa de Newquay, a mais de 90 metros de profundidade, nove tentativas fracassadas antes de chegar ao local certo.

A equipe analisou arquivos históricos e mapeou dez possíveis áreas de busca. Por nove vezes, nada. Na décima expedição, realizada em 26 de abril de 2026, os mergulhadores encontraram os primeiros vestígios.

O que confirmou a identidade do navio

A identificação foi feita por comparação com documentos técnicos fornecidos pela própria Guarda Costeira, plantas, esquemas e fotografias históricas do Tampa. Os objetos encontrados no fundo do mar fecharam o caso:

  • Pratos marcados com “Trenton, Nova Jersey” detalhe que ligou os destroços diretamente à tripulação americana
  • Âncora compatível com fotografias históricas do navio
  • Munições de época
  • Vigias de latão e equipamentos de ponte

São objetos comuns de um navio de guerra. O que os torna extraordinários é o silêncio de 107 anos que os cercava.

O navio americano que afundou 46 dias antes do fim da 1ª Guerra Mundial foi localizado após 107 anos

O que a descoberta representa para as famílias e para a história

Para a Guarda Costeira dos EUA, encontrar o Tampa encerra um luto de 107 anos, a corporação nunca havia recuperado os corpos da maioria dos 131 tripulantes.

O almirante Kevin Lunday, comandante da corporação, afirmou em comunicado oficial que localizar os destroços conecta a instituição ao sacrifício daqueles homens. O historiador William Thiesen disse que a Guarda Costeira enviou “praticamente tudo” que tinha imagens, plantas e esquemas técnicos para ajudar na identificação.

O impacto vai além do simbolismo institucional. Para familiares das vítimas, o local agora tem coordenadas reais, um ponto no mapa onde 131 homens pararam de esperar o fim da guerra.

A Guarda Costeira dos EUA ainda avalia se o sítio será protegido como túmulo de guerra oficial, decisão que definirá o que pesquisadores e mergulhadores poderão fazer no local.

Leonardo A Santos

Apaixonado por mistérios, curiosidades e grandes acontecimentos históricos, compartilho histórias fascinantes, análises e conteúdos exclusivos sobre os eventos que moldaram o mundo.